5 séries políticas mais tensas do que as eleições de 2018

As eleições deixaram as emoções dos brasileiros à flor da pele e fez com que muitos que se abstinham do cenário político se interessassem por essa área. Mas agora que as eleições estão prestes à acabar (seja dia 7 ou 28), muita gente vai se sentir órfão de discutir política com os amigos.

E foi pensando nisso que criamos essa lista com 5 séries políticas para quem quer saber como tudo funciona e ainda ter um pouco de diversão com dramas dignos das eleições de 2018.

 

House of Cards

A série da Netflix ficou muito conhecida pelas tramas políticas e os personagens extremamente complexos. A série estreou em 2013 e terminará na 6ª temporada que chega na plataforma de streaming dia 2 de novembro.

Os personagens principais Frank Underwood (Kevin Spacey) e sua esposa Claire (Robin Wright) fazem de tudo para subir ao poder. Corrupção e assassinatos rodeiam as tramas do casal e acabam influenciando todos por perto, sejam eles “ficha limpa” ou não.

 

Veep

Ao contrário das séries de política mais comuns, Veep é uma série de comédia que conta o dia-a-dia da vice-presidente dos Estados Unidos, Selina Meyer (Julia Louis-Dreyfus). A série satiriza todas as corrupções e jogos políticos que rodeiam essa área.

A série ganhou inúmeros prêmios e foi uma das poucas comédias desde 2000 que ganhou o Screen Actors Guild e o Writers Guild of America. A série foi finalizada em 2016 e possui 5 temporadas.

 

Designated Survivor

A série estrelada por Kiefer Sutherland (24 horas), foi resgatada pela Netflix para uma terceira temporada após a ABC a ter anunciado o seu cancelamento.

A trama é sobre a ascensão do secretario de Habitação e Desenvolvimento Urbano, Tom Kirkman, à presidência dos Estados Unidos. Após um atentado, Tom é designado ao cargo e têm que assumi-lo subitamente.

 

Scandal

As séries da Shonda Rhimes são conhecidas pelos seus dramas e personagens marcantes, principalmente as protagonistas femininas fortes.

A série se passa em Washington DC e é protagonizada por Kerry Washington que interpreta a personagem Olivia Pope, ex-fucionária da Casa Branca e responsável por uma empresa de gerenciamento de crises.

Recentemente a série teve um crossover com outra série da Shonda, How to get Away with Murder, aonde Olivia e Annalise Keating (Viola Davis) se encontram.

 

Homeland

A série Homeland, inspirada na série israelense “Prisioneiros de Guerra”, conta a história de Carrie Mathison (Claire Daines), que após receber dicas de um informante, passa a desconfiar que o soldado Nicholas Brody (Damian Lewis), herói da nação que ficou oito anos desaparecido em território inimigo, é na verdade um infiltrado terrorista.

A série toda passa a sensação de clima de guerra, principalmente a “guerra ao terror” e dá uma ideia muito boa sobre como os Estados Unidos vê os terroristas, principalmente os do oriente médio.

 

Bônus – The Handmaid’s Tale

Apesar de se passar em um futuro próximo e ter ares de distopia, a série The Handmaid’s Tale parece uma sinistra previsão do que pode acontecer com o planeta caso não começarmos a cuidar melhor da natureza.

Quando a taxa de natalidade cai a níveis alarmantes, governo extremista assume nos Estados Unidos. As mulheres férteis e solteiras ou separadas se transformam em aias, escravas sexuais dos governadores, para tentar aumentar a população. Na primeira temporada, acompanhamos a vida de Offred (Elizabeth Moss) bem de perto, portanto quase não vemos como a sociedade de Gilead (antigo Estados Unidos) se estrutura, mas na segunda temporada a série se torna bem mais política e podemos ver um pouco do que aconteceu para transformar tanto a vida da população.

Caso você não tenha visto ainda, já tínhamos falado sobre The Handmaid’s Tale aqui no site, dá uma olhada.

 

E aí? Faltou alguma série que você assiste pra ver um pouco mais das politicagens? Conte para a gente.

 

Nem só de Netflix vive um bom maratoneiro: Amazon Prime Videos

Não é novidade para ninguém que estamos imersos em uma cultura on demand. Cada vez mais as pessoas procuram por conteúdos que podem ser assistidos em múltiplos aparelhos e à hora que quiserem. Ou seja, as plataformas de streaming estão dominando o cenário audiovisual.

E, justamente por isso, até as emissora de TV acabo estão migrando seus conteúdos para suas próprias plataformas  para poder adequar as novas demandas do público. Então nós, da Baleia, fizemos um review sobre as principais plataformas disponíveis no Brasil para você escolher qual a sua preferida!

A Amazon Prime Videos, streaming da Amazon.com que chegou no Brasil em 2016, aos poucos vem lutando pela concorrência com a Netflix, principalmente pelo preço. Nos primeiro seis meses o valor é de R$7,90 e depois passa para o preço cheio de R$14,90. Apesar do catálogo não ser tão vasto como a concorrente, o Prime Videos conta com alguns títulos de peso como Mr Robot e os spin-offs de The Walking Dead e The Good Wife: Fear The Walking DeadeThe Good Fight, respectivamente.

A plataforma também conta com algumas séries como a espanhola Isabel (2012), que conta sobre a vida de Isabel de Castela e Aragão em uma pegada similar ( salvaguardo as diferenças por se tratar uma série produzida fora do contexto mainstream dos EUA e Inglaterra)  a de The Crown.  A narrativa da produção é mais lenta e cheia de detalhes históricos que levam a entender a formação atual da Espanha e seus dilemas étnicos.

A série que possui três temporadas no total, retrata desde a ascensão de Isabel ao trono de Castela e seu casamento com Fernando II de Aragão até o financiamento das viagens de Cristóvão Colombo em 1492 que levaram a “descoberta” das Américas. Para se encontrar no tempo e espaço basta saber que a rainha Isabel era mãe da Catarina de Aragão, primeira esposa do rei Henrique VIII e pai da rainha Elizabeth I da Inglaterra.  Originalmente  a série é transmitida em conjunto pelos canais espanhóis Televisão Española (TVE) e La 1.

Uma curiosidade que faz Isabel ser uma série que merece sua atenção é participação do ator que interpreta o professor em La Casa de Papel, Álvaro Morte.

Assim como o seu concorrente, o streaming conta com produções originais que valem muito apena conferir. The Man in the High Castle (2015), por exemplo, é um série que retrata um mundo alternativo se Hitler tivesse ganhado a Segunda Guerra Mundial e os Estados Unidos foram divididos entre o Japão e o III Reich.

Durante a trama, percebemos o mundo “parou” depois da Segunda Guerra Mundial e os EUA foram totalmente imersos na cultura Japonesa e Alemã. Na contramão, a série também retrata grandes inovações tecnológicas – como voos entre continentes que duram menos de 3 horas.

O plot da série é realmente convidar o telespectador a imaginar realidades diferentes com uma trama envolvente que conta com o elenco de peso como: Rufus Sewell (O ilusionista), Rupert Evans (Hellboy), Luke Kleintank (Bones), DJ Qualls (Supernatural) e Alexa Davalos (Fúria de Titãs).

Além disso, Além disso, a produção conta com uma trilha sonora de arrepiar que sempre possui um significado simbólico muito grande para o enredo. A música é utilizada para aprofundar os significados da trama e para garantir que o público tenha mais noção das emoções vivenciadas pelos personagens. A título de comparação, uma outra série que possui uma pegada muito parecida em relação as músicas e a narrativa é The Handmaid’s Tale.

Atualmente, a série produzida por Ridley Scott conta com apenas duas temporadas e, durante a Comic Con 2018, ganhou data de estreia para sua terceira temporada no dia 5 de Outubro.

Outra produção da plataforma que vale apena conferir é a indicada a melhor série de comédia ( e, por acaso, a favorita nessa categoria) e de melhor atriz em série de comédia no Emmy 2018: The Marvelous Mrs. Maisel. A série foi criada pelos mesmo produtores de Gilmore Girls (2000) – Amy Sherman-Palladino e Daniel Palladino – e conta a história da Midge Maisel, uma mulher que descobre que sempre teve talento para comédia apenas após ser abandonada por seu marido.

Assim, o enredo da trama vai ser construído ao entorno da vida privada da personagem e seus dramas familiares mostrando o seu crescimento e o seu reconhecimento como comediante.  O plot da série é realmente narrar como nasce um talento e como esse talento precisa ser trabalhado. Por isso, a história tem como plano de fundo o mundo do stand up na década de 1950 em Nova York.

Mas não é só nos momentos em que a personagem está se apresentado que a comédia aparece. Em todo o episódio e todos os personagens são extremamente cômicos e sarcásticos fazendo com que a série seja ainda mais divertida. Essa é uma série que emociona e diverte ao mesmo tempo, sendo extremamente complexa.

Marvelous Mrs. Maisel trata-se de uma comédia  com uma dinâmica, piadas inteligentes e diálogos rápidos – o que lembra um pouco os diálogos de Gilmore Girls – que demanda do espectador full atenção e um ótimo elenco. Justamente por isso, na lista de premiação preliminar do Emmy, a série foi apontada como a vencedora da categoria melhor elenco de série de comédia. O elenco da série conta com a participação de atores como Tony Shalhoub (Monk), Marin Hinkle (Two and a half man) e Rachel Brosnahan (House of Cards).

No mais, os figurinos são excepcionais, a trilha sonora também, a fotografia muito bem feita destacando bastante e bem colorida. Mas, o principal, mostra uma mulher forte, apesar de agir dentro do protocolo das mulheres da época, e a evolução do feminismo e a busca pela mudança social e política nos EUA.

Até então, a produção só tem uma temporada, mas, segundo a Amazon, ela já foi renovada até a terceira e em pouco tempo já deve ser divulgada a data de estreia da segunda temporada.

Se sua preferência for produções de espionagem com uma pitada de ação a Amazon chega com tudo com sua mais nova produção: Tom Clancy’s Jack Ryan (John Kasinski). A série conta a história de um agente da CIA enfrentando os principais perigos que ameaçam os EUA. Se você gosta de produções como Homeland  essa pode ser a sua favorita. Essa série tem tido um alto investimento em marketing por parte da Amazon, que vem tratando-a como o seu grande “blockbuster” para conquistar o público e ganhar mais assinantes.

Recentemente, durante a Comic-Con 2018, os representantes da Amazon Prime anunciaram mais uma nova série original, do mesmo criador de Mr.Robot, inspirada em um podcast intitulado de Homecoming. A série promete ser um thriller eletrizante estrelado por ninguém menos que Julia Roberts e estreia dia 02 de novembro desse ano. Infelizmente, para o público brasileiro, a série chegará sem a famigerada legenda em português que só estará disponível em 2019.

Mas nem de flores e produções de qualidade a Amazon Prime vive. A plataforma sofre com alguns problemasTêm algumas produções que não tem disponível as legendas em português. Esse é o caso das famosas séries This is UseLaw and Order Special Vitims UnitedNo entanto, isso pode não ser de todo mal, principalmente para quem gosta de aprender inglês através das séries.

Os comandos de legenda também são um problema. Você precisa sair do episódio para conseguir mudar ou alterar e em alguns momentos as legendas podem não estar sincronizadas. Portanto, apesar de se tratar de um streaming com um acervo de conteúdos bem vasta e interessante, a plataforma ainda está em desenvolvimento.

No geral? Vale muito apena assinar o streaming, especialmente para ter acesso a outras produções e maratonar. A Amazon Prime vem apresentando produções com uma grande qualidade tanto em seus aspectos estéticos quanto narrativos, e vem ampliando seu catálogo com séries e filmes para fazer os viciados não saírem de casa de vez.

 

5 motivos para assistir “Anne with an E”

Após a criadora da série Anne with an EMoira Walley-Beckett, pedir a ajuda dos fãs para que a série não fosse cancelada na sua segunda temporada, os amantes dessa produção da Netflix fizeram campanha, subiram hashtags no Twitter, tudo para atrair mais pessoas e subir a audiência da série.

Anne with an E conta a história de Anne, uma órfã que é adotada acidentalmente por um casal de irmãos que vive em uma fazenda em Green Gables. Logo que chega, Anne encanta à várias pessoas do lugar (e assusta o restante) com sua mente criativa e revolucionária. A série foi baseada no livro de 1908 “Anne of Green Gables” de Lucy Maud Montgomery, que o inspirou na sua própria vida que, após perder a mãe com 21 meses e ter a guarda negada pelo pai, vai viver com os avós maternos.

Seria impossível para nós da Baleia ficar longe dessa briga por salvar uma das séries mais belas e ainda, de bônus, com uma protagonista feminina nerd. Então montamos essa lista para você, que quer convencer seus amigos à assistirem Anne with an E e para você, que ainda não conferiu a série.

5 – A fotografia

A fotografia de Anne with na E é um dos pontos que mais tira o ar do público quando assiste. A beleza do Canadá, as cores da floresta, a beleza e cuidado da produção com os detalhes. Tudo se junta em uma perfeita construção: a atmosfera fria do país, com a alegria quente de Anne, que por onde passa com seus cabelos vermelhos colore tudo ao seu redor.

4 – Mas é drama?

Essa série vai te fazer chorar, com certeza, não só nos momentos tristes, mas principalmente nos felizes. É impossível não se emocionar e se contagiar pela protagonista que sempre mantem a imaginação e o otimismo a seu favor, ainda que sua vida tenha

sido repleta de tragédias.

Anne with an E é um refresco para a alma em tempos de seca.

 

 

3 – A história

Qualquer tipo de sinopse só consegue simplificar a série, que é muito mais complexa do que poderíamos explicar aqui.

Ainda que eu esteja me contradizendo aqui, a história é bela principalmente pela simplicidade. A construção dos personagens se dá de forma sutil e seus problemas também. Ainda que aconteça no passado, as questões tratadas pela série são bem atuais: o abandono, o feminismo, o bullying, a descoberta da sexualidade entre outros assuntos profundos que a série trata.

 

2 – Os personagens

Os personagens são claramente o suporte da série. Ainda que o roteiro seja muito bem construído, é impossível não se apaixonar por Anne, Marilla, Mathew, Gilbert e todos os personagens de Green Gables (até aqueles que amamos odiar). Mostrando uma infinita complexidade, vemos os personagens se alterando conforme se aproximam de Anne.

Se tudo que eu falei anteriormente não foi o suficiente, assista só pelos personagens, pela construção de personalidades que é feita de forma tão rica e ao mesmo tempo tão sutil.

1 – Anne

Em Anne with an E vemos tudo pelo olhar de uma criança que conheceu o pior do mundo, mas ainda assim espera o melhor das pessoas.

Anne é uma órfã que sofreu inúmeros abusos quando morou em um orfanato principalmente pelo seu amor aos livros, ao conhecimento e por ser considerada “estranha”. Anne é, meus amigos e amigas, uma clássica nerd. E não só isso, uma nerd feminista! Ela simplesmente não aceita que sua vida será regrada por um homem e que mulheres devem esconder sua inteligência atrás de belos laços de fita (tudo isso enquanto anseia pelo mais belo vestido da loja da cidade).

Anne é feminina, nerd, revolucionária, criativa, corajosa e, facilmente, uma das melhores protagonistas de séries que eu já vi (e eu já vi um bom cado de séries).

 

E se isso não te convenceu a assistir a série, assista mesmo assim e veja por si só como a Netflix acertou em cheio, mas pode cometer o erro de cancelá-la.

 

Análise: “Die Welle” e a ameaça do fascismo iminente

O filme alemão explora a fundo questões políticas que assombraram o próprio país, no episódio mais cruel da história moderna.

O filme de 2008 começa de forma emblemática. Rainer Wenger (Jürgen Vogel) brada em seu carro os versos de “Rock and Roll High School”, interpretada pela banda alemã El*ke, mas que ficou conhecida e se tornou um clássico punk, ao ser lançada pelos Ramones. “Eu não dou a mínima para história”, é sua linha de abertura.

Wenger, formado em educação física e ciências políticas, é um ideal-anarquista e professor, treinador de polo aquático de uma escola de ensino médio alemã. Simpático, ele é o queridinho dos alunos, mas enfrenta resistência de parte de seus colegas professores. E é justamente esse conflito de personalidades que torna possível os acontecimentos a seguir.

“Die Welle”, ou “A Onda”, é baseado em um livro, homônimo, e em um caso real de um experimento social, conhecido como Terceira Onda, realizado em 1967, nos Estados Unidos, pelo igualmente professor de ensino médio, Ron Jones. O experimento tinha como objetivo demonstrar que, nem mesmo a mais democrática das sociedades, está imune à ameaça iminente do fascismo.

Voltando ao filme, Rainer, em uma semana acadêmica de atividades extracurriculares, gostaria de apresentar aos alunos um minicurso sobre a Anarquia, mas foi atravessado por um de seus desafetos docentes. Dessa forma, restou-lhe apenas o minicurso de Autocracia.

Os alemães, apesar de conhecidamente se envergonharem (com razão) do holocausto e de todas as atrocidades cometidas durante o domínio do Terceiro Reich, têm como escopo social não deixar que tudo aquilo seja esquecido, pelo simples princípio de “aqueles que não conhecem a história, estão fadados a repetí-la”.

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Símbolo d’A Onda feito pelos membros em uma construção da cidade.

De certa forma, essa ideia causa algum nível de conformismo e comodidade social. Um sentimento de que isso jamais voltará a acontecer, como Rainer nota entre seus alunos logo no primeiro dia, quando os pergunta se algo como uma ditadura fascista, semelhante a de Hitler, seria possível de se repetir.

É então que entra em cena o experimento social da Terceira Onda. No terreno fértil da juventude, em busca de motivos para se rebelar, Wainer enxerga a oportunidade perfeita de mostrar, por meio da dinâmica de grupo, que o fascismo está a apenas algumas insatisfações e um líder carismático de distância.

Rainer passa, então, a ensinar aos alunos os pilares básicos de uma sociedade autocrática. Entre eles, disciplina e união. Antes de prosseguir com o experimento, faz com que os discentes elejam um líder, que representará a figura do Estadista. Acabam por escolher o próprio professor. Sendo assim, exige que se refiram a ele como “Sr. Wenger”.

Postura, respeito, obediência e união de iguais são fundamentos para pleno funcionamento de um impiedoso sistema autocrático. O caminho para que isso se estabeleça é insatisfação popular, desemprego, insatisfação política, injustiça social e inflação alta. Essas características, observadas por uma lente macro, podem ser observadas, em menor ou maior escalas, em quase qualquer sociedade democrática.

Ao ordenar que os alunos se direcionem a ele apenas como “Sr. Wenger”, e que se levantem ao dirigem-lhe a palavra, Rainer impõe sua autoridade e projeta sua imagem de líder, a ser respeitado e seguido.

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A fim de se tornarem pares e mais unidos, os estudantes que fazem parte do grupo passam a usar uniformes, votam para a escolha de um nome – A Onda – e escolhem um símbolo e um cumprimento, que os identifiquem e diferenciem dos demais membros da comunidade. Esse cumprimento muito se assemalha à saudação nazista.

Apesar do pouco tempo de duração do curso, logo A Onda se torna maior que as paredes da sala. Faz com que os jovens, e inconsequentes, passem a se impor, também, no ambiente externo ao da escola, se unindo e deixando suas marcas pelas ruas da cidade. Movimentos segregacionistas começam a surgir, dentro e fora do grupo, com membros que se opunham às doutrinações sendo alvos de chacota e exclusão.

Ao longo do filme, podemos perceber como o sentimento de pertencimento, criado culturalmente dentro do grupo, tem uma influência mais forte e acentuada sobre aqueles indivíduos com histórias de vida e bases estruturais de relacionamentos mais frágeis. É possível perceber, dentro deles, a progressão de um sentimento muito semelhante ao do nacionalismo extremo, como se precisassem daquilo para se proteger e para proteger aquilo a que pertencem.

Com o tempo, o próprio Rainer se deixa levar pela vaidade e começa a admirar a popularidade e apreço que vem recebendo de seus alunos, sem perceber o que acontece ao seu redor, pela perspectiva de um observador. Ele está no centro do furacão e A Onda já começava a se tornar uma comunidade organizada, com simpatizantes até mesmo fora do minicurso onde tudo se iniciou.

O embrião de uma sociedade opressora havia sido plantado com sucesso, a partir de um experimento social sem grandes pretensões.

O plano de fundo de um filme adolescente esconde, para alguns, as pretensões de “Die Welle”, com raízes profundas na filosofia, nas questões políticas e de relações humanas. Mesmo em uma sociedade como a alemã, que cedeu palco ao nazi-fascismo, novos grupos para alimentarem aquele mesmo sentimento estão suscetíveis aos surgimento. Que diria uma sociedade de bases estruturais mais fracas e de mais frágil democracia?

Falta de conhecimento histórico, ou simplesmente o sentimento de perda de direitos, seja ele artificial, legítimo ou provocado, podem ser o estopim para o surgimento de uma nova onda fascista para a busca de direitos abstratos e luta por verdades subjetivas.

O fascismo não morreu com a queda das potências do eixo, na Segunda Guerra Mundial, e ainda se esgueira por entre as sociedades, como uma doença que aguarda um momento de baixa imunidade para se alastrar.

SEM SPOILERS: Em seu discurso final, Wenger usa do carisma, da retórica extremista e do populismo para aflorar a insatisfação de seus seguidores.