Nem só de Netflix vive um bom maratoneiro: Amazon Prime Videos

Não é novidade para ninguém que estamos imersos em uma cultura on demand. Cada vez mais as pessoas procuram por conteúdos que podem ser assistidos em múltiplos aparelhos e à hora que quiserem. Ou seja, as plataformas de streaming estão dominando o cenário audiovisual.

E, justamente por isso, até as emissora de TV acabo estão migrando seus conteúdos para suas próprias plataformas  para poder adequar as novas demandas do público. Então nós, da Baleia, fizemos um review sobre as principais plataformas disponíveis no Brasil para você escolher qual a sua preferida!

A Amazon Prime Videos, streaming da Amazon.com que chegou no Brasil em 2016, aos poucos vem lutando pela concorrência com a Netflix, principalmente pelo preço. Nos primeiro seis meses o valor é de R$7,90 e depois passa para o preço cheio de R$14,90. Apesar do catálogo não ser tão vasto como a concorrente, o Prime Videos conta com alguns títulos de peso como Mr Robot e os spin-offs de The Walking Dead e The Good Wife: Fear The Walking DeadeThe Good Fight, respectivamente.

A plataforma também conta com algumas séries como a espanhola Isabel (2012), que conta sobre a vida de Isabel de Castela e Aragão em uma pegada similar ( salvaguardo as diferenças por se tratar uma série produzida fora do contexto mainstream dos EUA e Inglaterra)  a de The Crown.  A narrativa da produção é mais lenta e cheia de detalhes históricos que levam a entender a formação atual da Espanha e seus dilemas étnicos.

A série que possui três temporadas no total, retrata desde a ascensão de Isabel ao trono de Castela e seu casamento com Fernando II de Aragão até o financiamento das viagens de Cristóvão Colombo em 1492 que levaram a “descoberta” das Américas. Para se encontrar no tempo e espaço basta saber que a rainha Isabel era mãe da Catarina de Aragão, primeira esposa do rei Henrique VIII e pai da rainha Elizabeth I da Inglaterra.  Originalmente  a série é transmitida em conjunto pelos canais espanhóis Televisão Española (TVE) e La 1.

Uma curiosidade que faz Isabel ser uma série que merece sua atenção é participação do ator que interpreta o professor em La Casa de Papel, Álvaro Morte.

Assim como o seu concorrente, o streaming conta com produções originais que valem muito apena conferir. The Man in the High Castle (2015), por exemplo, é um série que retrata um mundo alternativo se Hitler tivesse ganhado a Segunda Guerra Mundial e os Estados Unidos foram divididos entre o Japão e o III Reich.

Durante a trama, percebemos o mundo “parou” depois da Segunda Guerra Mundial e os EUA foram totalmente imersos na cultura Japonesa e Alemã. Na contramão, a série também retrata grandes inovações tecnológicas – como voos entre continentes que duram menos de 3 horas.

O plot da série é realmente convidar o telespectador a imaginar realidades diferentes com uma trama envolvente que conta com o elenco de peso como: Rufus Sewell (O ilusionista), Rupert Evans (Hellboy), Luke Kleintank (Bones), DJ Qualls (Supernatural) e Alexa Davalos (Fúria de Titãs).

Além disso, Além disso, a produção conta com uma trilha sonora de arrepiar que sempre possui um significado simbólico muito grande para o enredo. A música é utilizada para aprofundar os significados da trama e para garantir que o público tenha mais noção das emoções vivenciadas pelos personagens. A título de comparação, uma outra série que possui uma pegada muito parecida em relação as músicas e a narrativa é The Handmaid’s Tale.

Atualmente, a série produzida por Ridley Scott conta com apenas duas temporadas e, durante a Comic Con 2018, ganhou data de estreia para sua terceira temporada no dia 5 de Outubro.

Outra produção da plataforma que vale apena conferir é a indicada a melhor série de comédia ( e, por acaso, a favorita nessa categoria) e de melhor atriz em série de comédia no Emmy 2018: The Marvelous Mrs. Maisel. A série foi criada pelos mesmo produtores de Gilmore Girls (2000) – Amy Sherman-Palladino e Daniel Palladino – e conta a história da Midge Maisel, uma mulher que descobre que sempre teve talento para comédia apenas após ser abandonada por seu marido.

Assim, o enredo da trama vai ser construído ao entorno da vida privada da personagem e seus dramas familiares mostrando o seu crescimento e o seu reconhecimento como comediante.  O plot da série é realmente narrar como nasce um talento e como esse talento precisa ser trabalhado. Por isso, a história tem como plano de fundo o mundo do stand up na década de 1950 em Nova York.

Mas não é só nos momentos em que a personagem está se apresentado que a comédia aparece. Em todo o episódio e todos os personagens são extremamente cômicos e sarcásticos fazendo com que a série seja ainda mais divertida. Essa é uma série que emociona e diverte ao mesmo tempo, sendo extremamente complexa.

Marvelous Mrs. Maisel trata-se de uma comédia  com uma dinâmica, piadas inteligentes e diálogos rápidos – o que lembra um pouco os diálogos de Gilmore Girls – que demanda do espectador full atenção e um ótimo elenco. Justamente por isso, na lista de premiação preliminar do Emmy, a série foi apontada como a vencedora da categoria melhor elenco de série de comédia. O elenco da série conta com a participação de atores como Tony Shalhoub (Monk), Marin Hinkle (Two and a half man) e Rachel Brosnahan (House of Cards).

No mais, os figurinos são excepcionais, a trilha sonora também, a fotografia muito bem feita destacando bastante e bem colorida. Mas, o principal, mostra uma mulher forte, apesar de agir dentro do protocolo das mulheres da época, e a evolução do feminismo e a busca pela mudança social e política nos EUA.

Até então, a produção só tem uma temporada, mas, segundo a Amazon, ela já foi renovada até a terceira e em pouco tempo já deve ser divulgada a data de estreia da segunda temporada.

Se sua preferência for produções de espionagem com uma pitada de ação a Amazon chega com tudo com sua mais nova produção: Tom Clancy’s Jack Ryan (John Kasinski). A série conta a história de um agente da CIA enfrentando os principais perigos que ameaçam os EUA. Se você gosta de produções como Homeland  essa pode ser a sua favorita. Essa série tem tido um alto investimento em marketing por parte da Amazon, que vem tratando-a como o seu grande “blockbuster” para conquistar o público e ganhar mais assinantes.

Recentemente, durante a Comic-Con 2018, os representantes da Amazon Prime anunciaram mais uma nova série original, do mesmo criador de Mr.Robot, inspirada em um podcast intitulado de Homecoming. A série promete ser um thriller eletrizante estrelado por ninguém menos que Julia Roberts e estreia dia 02 de novembro desse ano. Infelizmente, para o público brasileiro, a série chegará sem a famigerada legenda em português que só estará disponível em 2019.

Mas nem de flores e produções de qualidade a Amazon Prime vive. A plataforma sofre com alguns problemasTêm algumas produções que não tem disponível as legendas em português. Esse é o caso das famosas séries This is UseLaw and Order Special Vitims UnitedNo entanto, isso pode não ser de todo mal, principalmente para quem gosta de aprender inglês através das séries.

Os comandos de legenda também são um problema. Você precisa sair do episódio para conseguir mudar ou alterar e em alguns momentos as legendas podem não estar sincronizadas. Portanto, apesar de se tratar de um streaming com um acervo de conteúdos bem vasta e interessante, a plataforma ainda está em desenvolvimento.

No geral? Vale muito apena assinar o streaming, especialmente para ter acesso a outras produções e maratonar. A Amazon Prime vem apresentando produções com uma grande qualidade tanto em seus aspectos estéticos quanto narrativos, e vem ampliando seu catálogo com séries e filmes para fazer os viciados não saírem de casa de vez.

 

Crítica: Sharp Objects pode até não cortar, mas deixa cicatrizes

A HBO não avisou, mas nós iremos: Sharp Objects contém cenas fortes com violência e possui gatilhos sobre automutilação.

Primeiramente, devo deixar claro que esperei ansiosamente por Sharp Objects desde que a HBO anunciou que adaptaria o livro.  Ainda que fizesse muitos anos desde que eu li a obra original de Gillian Flynn, eu me lembro bem que devorei tudo em um final de semana, sedenta por saber quem era o assassino de Wind Gap e, principalmente, quem era Camille Preaker.

A série com certeza não me decepcionou, mas a minha memória sim.

Devo deixar claro aqui que Sharp Objects não é sobre assassinatos, não é sobre psicopatas e muito menos um suspense investigativo, ainda que essa seja a trama. Sharp Objects é sobre pessoas, principalmente sobre Camille, é um estudo de personagem em sua mais límpida e clara constituição. E eu tinha esquecido disso tudo, lembrando-me apenas da relação tóxica de Camille com sua mãe e quem tinha matado as garotas.

Sharp Objects é sobre se afogar. Lenta e tortuosamente. Do jeito que qualquer depressão ou relacionamento tóxico faz com uma pessoa.

 

E é por isso que já aviso, Sharp Objects não é para qualquer um.

Por ser um estudo de personagem tão claro e verdadeiro, a série não se incomoda com linhas temporais, tal como acontece na nossa própria mente. Ao adentrarmos na vida de Camille, entramos também em sua cabeça e vemos seu passado, suas inseguranças e incertezas do mesmo jeito que ela vê: sem qualquer conexão ou explicação.

Essa é, com certeza, uma das características mais belas da série. Sua falta de compromisso com o entendimento do público, que deve encaixar as peças e compreender a história por si só, torna a série um quebra-cabeças de alta dificuldade.

 

Protagonizando Sharp Objects, temos a bela Amy Adams interpretando Camille e é uma forte candidata ao Emmy. Vemos a sua decadência, seu desespero e sua completa falta de interesse em tudo que ao seu redor. Pelo menos no início, antes dela se ver presa ao seu passado e realmente se aproximar de Amma (Eliza Scanlen), Camille provoca quase repugnância.

Eliza e Patricia Clarkson, como Adora, também merecem seu reconhecimento. Enquanto Amma era muito fácil amar e odiar com a mesma intensidade, Adora era o pesadelo de qualquer pessoa, ela é um vilão com tantas camadas que é até mesmo difícil chamá-la assim. Ela encanta com a mesma força que perturba e Patrícia soube segurar o papel com mais força do que eu achei que seria possível ao imaginar uma adaptação.

Infelizmente, a minha experiência com o livro foi bem mais impactante, por um motivo que eu só consegui perceber nos episódios finais, quando atrasei para ver os 3 últimos e tive a oportunidade de assistí-los todos de uma vez.

Sharp Objects é uma série maratonavel, não sei se foi feita para ser vista um episódio por semana, como a HBO a apresentou.

Porque se afogar aos poucos e respirar em intervalos maiores, não é nem de perto tão sufocante quanto fazê-lo tudo de uma vez.

Se entramos na cabeça de Camille e vemos suas lembranças e desesperos do mesmo jeito que ela, não parece fazer sentido podermos respirar entre os episódios quando ela não o faz. Se Camille não tem intervalos, por que deveria ter a sua série?

Mas, como eu disse anteriormente, Sharp Objects não é uma série fácil e nem deveria ser. Afinal, é uma série sobre cortes e cicatrizes e me diga, alguma das suas foram fáceis?